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O jovem não pode, mas precisa falhar!

29/10/2016

Quando imaginamos todos os desafios que a realidade atual apresenta, fica bastante claro que é na atuação profissional da Geração Y que está a maior preocupação. Por isso o assunto é muito debatido hoje, principalmente por gestores nas empresas, que têm a missão de receber os jovens profissionais, com suas características, limitações e qualidades.

 

Contudo, a primeira impressão que temos é a de que as gerações estão vivendo um tempo de ruptura total, em que os mais velhos não entendem os jovens, que, por sua vez, os consideram absolutamente lentos e desconectados da realidade atual. O aumento da expectativa de vida contribui para a intensidade nos conflitos, pois existem mais gerações lutando por um lugar no mundo. 

 

Os jovens da Geração Y são mais pragmáticos e não se apegam aos valores que serviram de referência para a criação da realidade atual. Estão sempre buscando desafios e esperam receber feedback com muita rapidez. Surpreendem líderes ao ignorar os padrões conhecidos, principalmente quando apresentam um bom desempenho no estudo, no trabalho ou em todo seu estilo de vida, enquanto escutam músicas e navegam em redes sociais.

 

Investigar com novas abordagens toda a complexidade que o novo cenário nos traz é essencial neste momento, pois podem resultar em importantes avanços e inegável sucesso na identificação dos fatores de motivação do jovem, principalmente no campo profissional. Isso significa que será prioritário inovar os conceitos de liderança e o caminho é a mentoria.

 

Atualmente, o resgate dos princípios de mentoria demandam programas de formação específicos, realinhando conceitos como coaching e mentoring que, de certo modo, se misturaram diante da busca por uma atuação mais adequada das lideranças.

 

Mentoria deve ser considerada o grande legado que o verdadeiro líder deixa após sua passagem como gestor de uma equipe de trabalho. Quando bem implementada, representa a continuidade por meio da sucessão e formação dos potenciais. O objetivo deve ser sempre o desenvolvimento de modelos que supram as necessidades crescentes de formação de novos talentos.

 

Em um mundo onde as transformações alcançam conceitos exponenciais, a competitividade se transforma em posicionamento estratégico e os relacionamentos estabelecem diferenciais competitivos definitivos. Pais, gestores e educadores precisam adotar um novo posicionamento, muito mais alinhado com os conceitos atribuídos hoje aos jovens da Geração Y, que representam a maior fatia do mercado consumidor e de profissionais na próxima década.

 

Definitivamente, o cenário mudou e as prioridades devem ser realinhadas para que se alcancem novas soluções. O grande problema que advém com a chegada dos jovens no mercado de trabalho é a falta de experiência. A situação já deixou de ser apenas uma circunstância passageira para se transformar em um fenômeno corporativo e, como tal, merece atenção intensa dos gestores nas empresas. Duas questões estão sempre presentes neste momento:

 

– Porque os jovens se afastam do emprego ao primeiro obstáculo realmente relevante?

– Porque os jovens de hoje não se engajam nas oportunidades de trabalho?

 

Primeiramente, é necessário entender que nem todo jovem da Geração Y é um fenômeno, tampouco deve ser considerado um gênio. Se levarmos em conta apenas o aspecto de formação acadêmica, veremos que ainda é grande o número de jovens que não conseguem ultrapassar a formação no ensino médio. O impacto dessa situação só é ligeiramente reduzido porque o contexto atual proporciona a esses jovens maior acesso a informação e até mesmo à formação técnica, seja presencial ou virtual.

 

Portanto, é necessário um novo alinhamento de expectativas sobre as capacidades dos jovens, principalmente porque essa geração chega ao mercado de trabalho muito mais tarde que as gerações anteriores.

 

Entretanto, o questionamento tem sentido se considerarmos que esta é, sem dúvida, a geração com o maior número de jovens preparando-se para o mundo corporativo. Os jovens da Geração Y concorrem a diversas posições, desde as mais operacionais até as disputadas vagas nos programas de trainees, em que é esperada a melhor e mais completa formação acadêmica. O empenho para alcançar as melhores vagas é visível e a ambição dos jovens profissionais é uma característica considerada positiva pela maioria dos recrutadores.

 

Com este cenário, era de se esperar muitos jovens profissionais excepcionais, alinhados aos valores de suas empresas e com suas estratégias de carreira definidas, mas não é o que ocorre. Isso leva a mais uma questão:

 

– Afinal, porque eles parecem não se comprometer com o trabalho?

 

Certamente, o fator de maior impacto para a falta de comprometimento e engajamento do jovem é a pressão por resultados sem falhas. É certo que os resultados são indispensáveis para qualquer empresa e merecem todo foco de seus profissionais; contudo, a incansável busca pela produtividade retirou a possibilidade de falhas da equação e passou a considerá-las absolutamente danosas para as empresas.

 

Os jovens de hoje estão cada vez mais “famintos” por desafios que os levem a alcançar experiências, mas para isso precisam falhar. Somente assim alcançarão a experiência que leva ao engajamento e ao comprometimento com a própria trajetória profissional. Por isso, o novo papel dos mais veteranos não é mais o de esperar que a Geração Y seja um sucesso sem fracassos, mas de ajudá-los a desenvolver o aprendizado que as falhas proporcionam para o crescimento de todos nós.

 

Texto extraído do livro “Jovens para Sempre – Como entender os conflitos de gerações”, Editora Integrare.

 

 

 

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